Ezra Pound (1875-1932)

Ezra Pound (1875-1932) Pound

Poeta, ensaista e crítico literário americano. Como Poeta-inventor, como se autodenominava, Pound implodiu as tradições dominantes da poesia norte-americana e inglesa da época com conceitos avant-garde que influenciaram fortemente a literatura ocidental.

Pound foi incisivo na descoberta e difusão dos trabalhos de T. S. Eliot (Prêmio Nobel), Robert Frost (quatro vezes vencedor do prêmio Pulitzer), e Ernest Hemingway (Prêmio Nobel). Eliot iniciou seu sucesso com a publicação de "The Love Song of J. Alfred Prufrock", em 1915, de que Pound foi responsável. Graças a ele, o Ulysses de James Joyce foi publicado parceladamente, em série, a partir de 1918, seis anos antes da obra estar terminada. É pouco?!! Um mestre que faz parte da história da criatividade humana.

Em seu livro ABC of Reading (1), Pound revela a mais precisa, bela e concisa definição de poesia que conheço: “linguagem condensada no mais alto grau”, fazendo referência ao radical da língua germânica “dicht”. Em alemão, “Dichte” = Denso; Dichter = Poeta, aquele que condensa; e Dichtung = Poesia, poema. O verbo Dichten = Poetar, fazer versos.

Um exemplo do que é poesia=condensação em um único verso: “Ao tocar em teus lábios uma criança pede vida.” (2).

No mesmo livro, no capítulo dichten=condensare, Pound dá uma chamada de pé-de-página esclarecedora: um estudante japonês nos EUA, ao ser perguntado qual a diferença entre prosa e poesia, respondeu “– Poetry consists of gists and piths.” Impossível traduzir pith com apenas UMA palavra: âmago, coração (como núcleo), impacto, ponto crítico, profundeza, quintessência. Da mesma forma, gist = essência, foco, substância. Os dois termos se mesclam. A melhor tradução seria: “– Poesia é essência e quintessência.”

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(1) A primeira edição data de 1934, mas eu adquiri a de 1968, em inglês. Contudo, recomendo a tradução – ABC da Literatura, por Augusto de Campos e José Paulo Paes. Somente um erudito do calibre de Augusto de Campos para empreender essa tarefa!

(2) Ouvi isso verbalmente em 1958. Interessante, pois memorizei mas não me lembro quem disse.

1 comentários:

Júllio Machado disse...

Outra genial definição de sua autoria: " o poeta é a antena da raça". (E.P.)

Abraços!